
´Difícil é caminhar sobre o aguçado fio da navalha, é árduo dizem os sábios, é o caminho da salvação!` KATHA UPANISHAD
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
«DO ERÓTICO AO PLATÓNICO», in «DEUS NEGRO», de Neimar de Barros


DO ERÓTICO AO PLATÓNICO
Eu queria recostar-me em seus seios
E adormecer como no travesseiro.
Eu queria acordar em seus braços
E transitar pelo seu corpo.
Eu queria me perder no agora
E me encontrar só em você.
Eu queria sussurrar em seu ouvido
E ouvir o eco no brilho dos olhos seus.
Eu queria provar seus lábios
E alimentar-me com seus desejos.
Eu queria parar tudo,
Ficar diante de você,
Vazio de problemas
E cheio de inocência.
Eu queria que fôssemos duas estátuas,
Perdidas num jardim sem importância.
Uma diante da outra, olhando, olhando...
Duas estátuas sem ninguém recriminar.
Olhando, olhando...
Vivendo o milagre do amor Platónico!
in «DEUS NEGRO», de Neimar de BARROS, 1973.
E adormecer como no travesseiro.
Eu queria acordar em seus braços
E transitar pelo seu corpo.
Eu queria me perder no agora
E me encontrar só em você.
Eu queria sussurrar em seu ouvido
E ouvir o eco no brilho dos olhos seus.
Eu queria provar seus lábios
E alimentar-me com seus desejos.
Eu queria parar tudo,
Ficar diante de você,
Vazio de problemas
E cheio de inocência.
Eu queria que fôssemos duas estátuas,
Perdidas num jardim sem importância.
Uma diante da outra, olhando, olhando...
Duas estátuas sem ninguém recriminar.
Olhando, olhando...
Vivendo o milagre do amor Platónico!
in «DEUS NEGRO», de Neimar de BARROS, 1973.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
«ANABELL LEE» - EDGAR ALLAN POE

Annabel Lee
It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea:
But we loved with a love that was more than love--
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.
And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her high-born kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.
The angels, not half so happy in heaven,
Went on envying her and me--
Yes!--that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.
But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we--
Of many far wiser than we--
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.
For the moon never beams, without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise, but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling--my darling--my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.
Edgar Allan Poe por Fernando Pessoa Annabel Lee (de Edgar Allan Poe)
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
This is the PROPER version of Annabel Lee:
It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
She was a child and I was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love --
I and my Annabel Lee;
With a love that the wingéd seraphs of heaven
Coveted her and me.
And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud,
Chilling my Annabel Lee;
So that her highborn kinsmen came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.
The angels, not half so happy in Heaven,
Went envying her and me: --
Yes! -- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night, chilling
And killing my Annabel Lee.
But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we --
Of many far wiser than we --
And neither the angels in Heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee: --
For the moon never beams, without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee: --
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee: --
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling, my darling, my life and my bride,
In her sepulchre there by the sea --
In her tomb by the side of the sea.
«OCASIONÁLIA
Num texto notável, incluído num livro com o título« HISTOIRE ET VÉRITÉ», intitulado «Le SOCIUS et le PROCHAIN», PAUL RICOEUR aborda uma problemática actualíssima: devemos encarar os outros como cidadãos, como indivíduos, portadores de B.I., etc., ou mais como PESSOAS?!... O OUTRO é o cidadão, o SÓCIO de uma sociedade ou o PRÓXIMO, AQUELE cujo estatuto náo pode ser definido pelo Estado, nem pela política, pois que como PESSOA transcende esse nível de horizontalidade e ingressa por estatuto ONTOLÓGICO no nível da dimensão VERTICAL, daquela que não ocupando espaço na base em que assenta, como a linha vertical, contudo se eleva até ao infinito!...
Nos versículos consagrados ao pecado lemos, no Livro do GÉNESIS,que a serpente se dirige directamente à mulher; não se dirige ao homem; dirige-se primeiro à mulher, porque a mulher está(é) mais próxima da vida, e mais imediata; no seu caminho o mal encontra a mulher antes de encontrar o homem. O homem é aqui o ser mais abstracto; é o homem que é seduzido por intermédio(mediação) da mulher. A mulher está(é)no segredo do SER.
«A mulher está perto,junto de mim, e contudo não a conheço....esta distância infinitésimal implica simultaneamente, estranheza absoluta, afastamento de uma IPSIDADE radical e totalmente diferente ( GANZ ANDERE ), possuindo um cerne diferente, um outro elemento nuclear, e...a proximidade absoluta. A mulher é-me mais próxima do que eu a mim próprio; por outro lado amo-a com um amor precário, contestado, pôsto em causa, pela liberdade imprevísivel que a mulher incarna, essa liberdade que me indica o bater do meu coração, quando sinto a minha felicidade e vida em risco, em provação, uma liberdade que pode recusar-se-me, uma liberdade que tem de se merecer, que tem de ser demandada, que preciso de conquistar e de seguida reconquistar, pois se perde facilmente... A mulher é por conseguinte longínqua e próxima!... Não pode confundir-se necessidade da mulher com amor. A necessidade não pode alicerçar uma relação. Até o amor se torna suspeito se sinto necessidade de o ter... Aquele que apenas sente necessidade do outro não conheceu o amor...» (VLADIMIR JANKÉLÉVITCH,em L'AUTRE DANS LA CONSCIENCE JUIVE-LE SACRÉE ET LE COUPLE,P.U.F.).
«A essencial capacidade humana de ENTRAR EM SI MESMO(o ENSIMESMAMENTO), tende no homem a ser um ACTO, porém na mulher tem um carácter mais habitual, estável e seguro: ESTAR EM SI MESMA. O que no homem é mais um acto vectorial, na mulher é uma instalação, por isso mesmo menos perceptível. A mulher pode estar em si própria -no decisivo,ensimesmada- enquanto faz inúmeras coisas, sobretudo as que afectam a vida quotidiana, sem que isso perturbe a sua estabilidade, o seu repouso interior» («A INTRAHITÓRIA, DOMÍNIO DA MULHER», in JULIAN MARIAS, LA MUJER Y SU SOMBRA ).
Nos versículos consagrados ao pecado lemos, no Livro do GÉNESIS,que a serpente se dirige directamente à mulher; não se dirige ao homem; dirige-se primeiro à mulher, porque a mulher está(é) mais próxima da vida, e mais imediata; no seu caminho o mal encontra a mulher antes de encontrar o homem. O homem é aqui o ser mais abstracto; é o homem que é seduzido por intermédio(mediação) da mulher. A mulher está(é)no segredo do SER.
«A mulher está perto,junto de mim, e contudo não a conheço....esta distância infinitésimal implica simultaneamente, estranheza absoluta, afastamento de uma IPSIDADE radical e totalmente diferente ( GANZ ANDERE ), possuindo um cerne diferente, um outro elemento nuclear, e...a proximidade absoluta. A mulher é-me mais próxima do que eu a mim próprio; por outro lado amo-a com um amor precário, contestado, pôsto em causa, pela liberdade imprevísivel que a mulher incarna, essa liberdade que me indica o bater do meu coração, quando sinto a minha felicidade e vida em risco, em provação, uma liberdade que pode recusar-se-me, uma liberdade que tem de se merecer, que tem de ser demandada, que preciso de conquistar e de seguida reconquistar, pois se perde facilmente... A mulher é por conseguinte longínqua e próxima!... Não pode confundir-se necessidade da mulher com amor. A necessidade não pode alicerçar uma relação. Até o amor se torna suspeito se sinto necessidade de o ter... Aquele que apenas sente necessidade do outro não conheceu o amor...» (VLADIMIR JANKÉLÉVITCH,em L'AUTRE DANS LA CONSCIENCE JUIVE-LE SACRÉE ET LE COUPLE,P.U.F.).
«A essencial capacidade humana de ENTRAR EM SI MESMO(o ENSIMESMAMENTO), tende no homem a ser um ACTO, porém na mulher tem um carácter mais habitual, estável e seguro: ESTAR EM SI MESMA. O que no homem é mais um acto vectorial, na mulher é uma instalação, por isso mesmo menos perceptível. A mulher pode estar em si própria -no decisivo,ensimesmada- enquanto faz inúmeras coisas, sobretudo as que afectam a vida quotidiana, sem que isso perturbe a sua estabilidade, o seu repouso interior» («A INTRAHITÓRIA, DOMÍNIO DA MULHER», in JULIAN MARIAS, LA MUJER Y SU SOMBRA ).
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