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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

«OCASIONÁLIA

Num texto notável, incluído num livro com o título« HISTOIRE ET VÉRITÉ», intitulado «Le SOCIUS et le PROCHAIN», PAUL RICOEUR aborda uma problemática actualíssima: devemos encarar os outros como cidadãos, como indivíduos, portadores de B.I., etc., ou mais como PESSOAS?!... O OUTRO é o cidadão, o SÓCIO de uma sociedade ou o PRÓXIMO, AQUELE cujo estatuto náo pode ser definido pelo Estado, nem pela política, pois que como PESSOA transcende esse nível de horizontalidade e ingressa por estatuto ONTOLÓGICO no nível da dimensão VERTICAL, daquela que não ocupando espaço na base em que assenta, como a linha vertical, contudo se eleva até ao infinito!...

Nos versículos consagrados ao pecado lemos, no Livro do GÉNESIS,que a serpente se dirige directamente à mulher; não se dirige ao homem; dirige-se primeiro à mulher, porque a mulher está(é) mais próxima da vida, e mais imediata; no seu caminho o mal encontra a mulher antes de encontrar o homem. O homem é aqui o ser mais abstracto; é o homem que é seduzido por intermédio(mediação) da mulher. A mulher está(é)no segredo do SER.

«A mulher está perto,junto de mim, e contudo não a conheço....esta distância infinitésimal implica simultaneamente, estranheza absoluta, afastamento de uma IPSIDADE radical e totalmente diferente ( GANZ ANDERE ), possuindo um cerne diferente, um outro elemento nuclear, e...a proximidade absoluta. A mulher é-me mais próxima do que eu a mim próprio; por outro lado amo-a com um amor precário, contestado, pôsto em causa, pela liberdade imprevísivel que a mulher incarna, essa liberdade que me indica o bater do meu coração, quando sinto a minha felicidade e vida em risco, em provação, uma liberdade que pode recusar-se-me, uma liberdade que tem de se merecer, que tem de ser demandada, que preciso de conquistar e de seguida reconquistar, pois se perde facilmente... A mulher é por conseguinte longínqua e próxima!... Não pode confundir-se necessidade da mulher com amor. A necessidade não pode alicerçar uma relação. Até o amor se torna suspeito se sinto necessidade de o ter... Aquele que apenas sente necessidade do outro não conheceu o amor...» (VLADIMIR JANKÉLÉVITCH,em L'AUTRE DANS LA CONSCIENCE JUIVE-LE SACRÉE ET LE COUPLE,P.U.F.).



«A essencial capacidade humana de ENTRAR EM SI MESMO(o ENSIMESMAMENTO), tende no homem a ser um ACTO, porém na mulher tem um carácter mais habitual, estável e seguro: ESTAR EM SI MESMA. O que no homem é mais um acto vectorial, na mulher é uma instalação, por isso mesmo menos perceptível. A mulher pode estar em si própria -no decisivo,ensimesmada- enquanto faz inúmeras coisas, sobretudo as que afectam a vida quotidiana, sem que isso perturbe a sua estabilidade, o seu repouso interior» («A INTRAHITÓRIA, DOMÍNIO DA MULHER», in JULIAN MARIAS, LA MUJER Y SU SOMBRA ).

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