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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

«OS PORTUGUESES SOMOS DO OCIDENTE...E DEMANDAMOS TERRAS DO ORIENTE» LUIS DE CAMÕES



...E X O C C I D E N T E LUX...

    PRIMEIRO / OS CASTELOS

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.

    SÉTIMO (I) / D. JOÃO O PRIMEIRO

O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.

Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.

Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.

    QUINTA / D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está

Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem

Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

IV. A COROA

      NUN'ÁLVARES PEREIRA

    Que auréola te cerca?
    É a espada que, volteando.
    Faz que o ar alto perca
    Seu azul negro e brando.

    Mas que espada é que, erguida,
    Faz esse halo no céu?
    É Excalibur, a ungida,
    Que o Rei Artur te deu.

    'Sperança consumada,
    S. Portugal em ser,
    Ergue a luz da tua espada
    Para a estrada se ver!

    I. O INFANTE

      Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
      Deus quis que a terra fosse toda uma,
      Que o mar unisse, já não separasse.
      Sagroute, e foste desvendando a espuma,

      E a orla branca foi de ilha em continente,
      Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
      E viu-se a terra inteira, de repente,
      Surgir, redonda, do azul profundo.

      Quem te sagrou criou-te português.
      Do mar e nós em ti nos deu sinal.
      Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
      Senhor, falta cumprir-se Portugal!

      XI. A ÚLTIMA NAU

        Levando a bordo ElRei D. Sebastião,
        E erguendo, como um nome, alto o pendão
        Do Império,
        Foi-se a última nau, ao sol aziago

        Erma, e entre choros de ânsia e de presago
        Mistério.
        Não voltou mais. A que ilha indescoberta
        Aportou? Voltará da sorte incerta

        Que teve?
        Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
        Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
        E breve.

        Ah, quanto mais ao povo a alma falta,
        Mais a minha alma atlântica se exalta
        E entorna,
        E em mim, num mar que não tem tempo ou 'spaço,

        Vejo entre a cerração teu vulto baço
        Que torna.
        Não sei a hora, mas sei que há a hora,
        Demorea Deus, chame-lhe a alma embora

        Mistério.
        Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
        A mesma, e trazes o pendão ainda
        Do Império.

        XII. PRECE

          Senhor, a noite veio e a alma é vil.
          Tanta foi a tormenta e a vontade!
          Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
          O mar universal e a saudade.

          Mas a chama, que a vida em nós criou,
          Se ainda há vida ainda não é finda.
          O frio morto em cinzas a ocultou:
          A mão do vento pode erguêla ainda.

          Dá o sopro, a aragem --ou desgraça ou ânsia--
          Com que a chama do esforço se remoça,
          E outra vez conquistaremos a Distância --
          Do mar ou outra, mas que seja nossa!

            QUINTO / NEVOEIRO

          Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
          Define com perfil e ser
          Este fulgor baço da terra
          Que é Portugal a entristecer--

          Brilho sem luz e sem arder,
          Como o que o fogofátuo encerra.
          Ninguém sabe que coisa quere.
          Ninguém conhece que alma tem,

          Nem o que é mal nem o que é bem.
          (Que ânsia distante perto chora?)
          Tudo é incerto e derradeiro.
          Tudo é disperso, nada é inteiro.

          Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
          É a Hora!

          VALETE FRATRES!


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